Chloé Hayden e o impacto da representação neurodivergente nos elencos.

Chloé Hayden está de volta às telas com a terceira e mais nova temporada da série “Heartbreak High: Onde tudo acontece” da Netflix, e vem chamando atenção nas mídias com suas narrativas sobre como é ser uma mulher neurodivergente representando uma comunidade neuroatípica. Desde a primeira temporada, a atriz interpretou Quinni, uma jovem carismática, simpática e adorada pelo público. Quinni têm autismo e durante o decorrer da série são apresentadas as dificuldades e nuances de seu cotidiano, indo além dos estereótipos superficiais. Chloé não se opoẽ a falar sobre o quão significativo é representar e ser reconhecida por outros jovens autistas principalmente após sua ascensão na série adolescente. A atriz repercutiu nas redes sociais onde compartilha sobre sua vida como uma mulher neuroátipica e vivências pessoais e frequentemente discursa sobre sua experiência de como foi interpretar a personagem. Em uma entrevista para o portal Body and Soul a atriz fala sobre a importância da série para si, e como a falta de identificação com personagens de desenhos infantis era constante em sua vida.

Fonte: https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2025/jun/21/heartbreak-highs-chloe-hayden-i-left-the-op-shop-bawling-my-eyes-out

A interpretação de Chloé abre um leque de reflexões muito importantes a serem discutidas, e uma delas é sobre como a indústria tem incluído pessoas laudadas com alguma neurodivergência para a interpretação de personagens também neurodivergentes. A verdade crua, é que essa inclusão ainda não é muito recorrente nos elencos. Frequentemente personagens autistas ou com outras deficiências são interpretados por pessoas neurotípicas, que aprendem sobre o comportamento de pessoas atípicas de forma superficial; pesquisando, observando, imitando. A interpretação de pessoas sem deficiências para estes papéis não deve ser um tabu, a questão nasce de como uma atuação feita por alguém que realmente enfrenta as dificuldades na pele é diferente de alguém que tenta de alguma forma simular estas crises. Inclusões como esta têm uma importância significativa, principalmente na vida de jovens, a sensação é de acolhimento, inclusão e ser finalmente enxergado em um mundo que constantemente tenta nos apagar.

Uma inclusão como a de Hayden na indústria audiovisual é um passo para o que chamamos de conscientização. A personagem que a atriz interpreta foge dos estereótipos de gênio e incapaz frequentemente associada a pessoas autistas. Ainda na entrevista para o portal, Chloé diz que recebe recorrentes mensagens atenciosas sobre como Quinni tem mudado e representado tantas vidas e o quanto isso significa para a mesma. Hayden não representa apenas a si mesma, ela é o reflexo do que muitos jovens que passam despercebidos enfrentam em seu cotidiano. 

A taxa de jovens e adolescentes diagnosticados com alguma neurodivergência tem aumentado, segundo o Censo Demográfico 2022, existem 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA no Brasil, chamando atenção para prevalência de diagnostico entre crianças e adolescentes. Este número é apenas uma perspectiva de quantos jovens autistas teremos daqui á poucos anos, e representações como esta precisam estar mais presentes em todos os meios visuais. Hayden não apenas interpretou como ajudou a escrever situações de crises da sua personagem, o que apenas reforça a ideia de que crianças e adolescentes precisam ser representados por pessoas que vivam o mesmo, que sofram se vivenciem as dificuldades de uma vida não padronizada requerida pela sociedade, pois esta é uma das melhores formas de transmitir a realidade e dizer de alguma forma “nós existimos”.

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